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Até onde vai a tal “Defesa à Democracia”?

O debate político no Brasil parece ter ultrapassado há tempos os limites da racionalidade e da humanidade. Independentemente de simpatias ou rejeições pessoais, é impossível ignorar que Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, enfrenta um quadro de saúde delicado, amplamente noticiado e reconhecido até por seus adversários. Ainda assim, o que se vê é um Sistema que aparenta agir com frieza extrema, como se a condição humana pudesse ser colocada em segundo plano diante da disputa política.

Não se trata aqui de absolver erros, nem de negar que todos devem responder por seus atos dentro do Estado Democrático de Direito. A questão é outra: até onde vai a busca por justiça e onde começa o excesso? Quando processos, medidas cautelares e ameaças de encarceramento ignoram um estado de saúde fragilizado, a sensação que fica é a de que o rigor deixa de ser jurídico e passa a ser simbólico — quase um recado político.

O encarceramento (ou mesmo a insistência em levá-lo a esse cenário), sem a devida ponderação sobre suas limitações físicas, soa mais como punição exemplar do que como aplicação equilibrada da lei. O Sistema, que deveria ser impessoal e técnico, passa a transmitir a imagem de que está disposto a ir longe demais para satisfazer uma narrativa, mesmo que isso custe a dignidade de alguém que já ocupou o mais alto cargo da República.

Hoje é Bolsonaro. Amanhã, quem será? Quando o Estado perde a capacidade de separar justiça de vingança institucional, todos ficam vulneráveis. O respeito à vida, à saúde e à dignidade não pode depender de alinhamento ideológico. Caso contrário, não estamos falando de justiça plena, mas de um perigoso precedente.

A democracia não se fortalece quando adversários são tratados como inimigos a serem eliminados moral ou fisicamente. Ela se fortalece quando a lei é aplicada com firmeza, sim, mas também com humanidade. E é exatamente isso que muitos brasileiros começam a questionar: será que o Sistema não foi longe demais?

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