Desenrola Brasil ou rebobina dívida? O ciclo que nunca fecha
Como principal mote da campanha eleitoral deste ano, o governo federal anunciou com entusiasmo mais uma edição do programa Desenrola Brasil. Desta vez mais robusto e abrangendo faixas de renda superiores, o programa mantém seu objetivo central: auxiliar cidadãos endividados a quitarem seus débitos por meio de descontos agressivos e prazos estendidos.
O pano de fundo, contudo, assemelha-se ao de tantos outros projetos: o calendário eleitoral. O presidente da República busca, novamente, convencer seu eleitorado de que governa para o povo — especialmente para as camadas mais vulneráveis. No entanto, a eficácia real da medida é questionável.
O indivíduo que se vê asfixiado por dívidas, geralmente acumuladas em bancos ou cartões de crédito, carece, na realidade, de educação financeira. É sintomático notar que, mesmo após etapas anteriores do programa, o endividamento das famílias brasileiras continua batendo recordes históricos. Sem uma mudança estrutural no comportamento de consumo e gestão de renda, o resultado é previsível: o ciclo de inadimplência irá se repetir.
Mais relevante do que o perdão momentâneo seria uma ofensiva governamental para baratear o custo de vida. Alimentos, combustíveis, bens e serviços sofrem altas constantes que o poder de compra da população simplesmente não consegue acompanhar. Mas, para a atual gestão, parece não haver motivo para preocupação; afinal, o “Desenrola” sempre pode ser relançado — especialmente se as urnas estiverem à vista.
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