Carregando agora

Professor declara que indústria farmacêutica manipula estudos científicos: “Eles usam a ciência para te vender lixo”

Uma entrevista de 2005 da revista Época voltou à tona recentemente, reacendendo debates e questionamentos no meio científico.

Na matéria, o renomado médico grego-americano John Ioannidis afirma, com base em um de seus célebres estudos daquele ano, que a maior parte das pesquisas clínicas publicadas em revistas científicas é inútil — e que é altamente provável que a maioria delas esteja mais errada do que certa.

Na época, Ioannidis evidenciou que a aprovação de novos remédios e tratamentos costuma partir de uma ciência estruturalmente viciada — um cenário problemático que vai de simples falhas humanas a fraudes complexas e intencionais. Hoje codiretor do Centro de Inovação em Meta-Pesquisa de Stanford (METRICS) e um dos cientistas mais influentes do mundo, ele expõe como os laboratórios moldam as pesquisas em benefício próprio. Em paralelo, mostra como os pesquisadores acadêmicos se tornam reféns de um sistema que exige resultados espetaculares (mesmo que distorcidos) para garantir prestígio e financiamento.

O exemplo dos antidepressivos

Ao longo da entrevista, o médico ilustra o problema com o caso dos antidepressivos. Segundo sua pesquisa, ao fazer um levantamento sobre revisões sistemáticas desse tipo de medicamento, sua equipe encontrou impressionantes 185 estudos, quando, na realidade, apenas 2 a 4 seriam metodologicamente necessários.

O padrão encontrado foi claro:

  • Estudos financiados por grandes farmacêuticas: garantiam a eficácia do medicamento em 100% dos casos.
  • Estudos independentes (sem vínculo com a indústria): em mais da metade das vezes, apresentavam ressalvas cruciais, apontando que os medicamentos não eram tão eficazes e traziam riscos significativos que deveriam ser considerados.

Qual é a solução?

Para mitigar esse cenário, John Ioannidis sugere desvincular totalmente a indústria farmacêutica da realização e do financiamento dos próprios testes clínicos. Para ele, o foco e os incentivos do sistema de saúde deveriam ser direcionados para o desenvolvimento real das melhores drogas, tratamentos e exames diagnósticos, priorizando a saúde pública em detrimento do lucro corporativo.

A entrevista pode ser lida na intregra em: https://epoca.globo.com/ideias/noticia/2016/07/john-ioannidis-maior-parte-da-pesquisa-medica-nao-e-confiavel.html

Share this content:

Publicar comentário